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No coração do México, a antiga cidade de Teotihuacan continua a ser um mistério fascinante. Esta cidade florescente na primeira metade do primeiro milênio da era cristã enfrentou um declínio abrupto, marcado por incêndios e destruições. Tradicionalmente atribuídos a revoltas, esses eventos devastadores podem ter sido parcialmente causados por um terremoto poderoso, segundo um novo estudo.

Teotihuacan é um dos sítios arqueológicos mais icônicos do México. Com suas imensas pirâmides, construídas durante a era pré-colombiana, a cidade abrigava cerca de 200.000 habitantes no seu auge. Construída no primeiro século antes de Cristo, Teotihuacan tornou-se uma das maiores cidades do mundo em sua época áurea. Após o ano 600, a cidade sofre uma série de destruições seguidas de um abandono definitivo. As razões por trás desse declínio são muito discutidas, com teorias variando de problemas interno-políticos e religiosos a desastres naturais e invasões.

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Publicada no Journal of Archaeological Science: Reports, uma nova análise sugere que diversos terremotos violentos podem ter desempenhado um papel significativo. Análises anteriores já indicavam que algumas destruições específicas observadas nas paredes de templos e pirâmides foram causadas por terremotos, não por ação humana ou pelo simples passar do tempo.

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A análise sistemática das pirâmides revelou que cinco megasismos teriam, de fato, afetado a cidade de Teotihuacan entre os anos 100 e 600. Essas descobertas reforçam a hipótese de que abalos sísmicos foram uma força destrutiva na história da cidade, moldando não apenas sua arquitetura, mas também sua evolução ao longo dos séculos.

No centro do México, onde estão localizadas antigas cidades como Teotihuacan, ocorrem frequentemente poderosos terremotos com magnitudes superiores a 8,5. Esses eventos são provocados pela zona de subducção ao longo da costa do Pacífico. Na fossa mesoamericana, as placas tectônicas Cocos e Rivera mergulham sob as placas Norte-americana e do Caribe.

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Esses terremotos não apenas danificam cidades mexicanas modernas, mas também afetam antigas cidades como Teotihuacan. Muitos blocos de basalto usados na construção das pirâmides apresentam cantos quebrados, alguns estão parcialmente deslocados ou inclinados. Tais danos são frequentemente associados à ocorrência de fortes terremotos. A natureza e a localização dessas destruições indicam que as ondas sísmicas tiveram origem na zona de subducção ao sudoeste encontrando-se alinhadas com a costa do Pacífico.

Cinco grandes terremotos causaram danos significativos às pirâmides. O primeiro ocorreu por volta do ano 100, o segundo por volta do ano 225. Os terceiro e quarto terremotos aconteceram entre os anos 400 e 525, e o último ocorreu no ano 600. Este último terremoto pode ter causado incêndios e outras destruições que antes eram associadas apenas a revoltas. Pesquisadores acreditam que essa catástrofe natural aumentou as tensões e tumultos durante um período de conflitos internos. Esse terremoto final pode ter sido o fator decisivo que levou ao declínio definitivo da cidade e ao seu eventual abandono.