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Um estudo realizado pela Universidade de Gotemburgo evidenciou que a população viking da era em Varnhem, localizada na Suécia, não só enfrentava problemas como cáries generalizadas e dores de dente, mas também demonstrava sinais de trabalhos dentários considerados avançados para a época.

Em Varnhem, conhecido por suas amplas escavações arqueológicas que revelaram ambientes vikings e medievais, foram analisados os dentes encontrados em tumbas, em um solo que favoreceu a excelente conservação dos esqueletos e dentes.

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Um orifício limado da coroa do dente até a polpa – um procedimento que reduz a dor de dente e a infecção.
Imagem: Carolina Bertilsson

Em colaboração com um osteologista do Museu de Västergötland, a equipe de Odontologia da Universidade de Gotemburgo pôde realizar um estudo detalhado, transportando crânios e dentes para exames minuciosos na cidade de Gotemburgo, onde utilizaram equipamentos de raio-X semelhantes aos da prática odontológica contemporânea, além de exames clínicos com instrumentos padrões e iluminação adequada.

Cáries e Perda Dentária

O estudo publicado na revista PLOS ONE indica que quase metade da população viking sofria de cáries, com um percentual de 49% exibindo lesões cariosas. Em adultos, 13% dos dentes foram comprometidos, frequentemente nas raízes, enquanto em crianças, tanto com dentes de leite quanto com dentes permanentes, não se observaram tais lesões.

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A perda de dentes era um fenômeno usual entre os adultos vikings. Em média, os adultos perderam cerca de 6% dos dentes ao longo da vida, sem incluir os dentes do siso. O estudo apontou que a probabilidade de perder dentes aumentava com o envelhecimento.

Constatações apontam que dores de dente, cáries e infecções eram problemas rotineiros para os vikings de Varnhem. Apesar disso, evidências sugerem que havia esforços para cuidar da saúde bucal.

“Havia vários sinais de que os vikings modificaram seus dentes, incluindo evidências de uso de palitos, lixamento de dentes anteriores e até tratamento dentário de dentes com infecções”, disse Carolina Bertilsson, dentista e pesquisadora que participou do estudo.

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Semelhante aos tratamentos atuais

No ápice das descobertas odontológicas vikings, identificou-se molares com orifícios limados, partindo da coroa do dente até a polpa, visando provavelmente o alívio da pressão e a redução das fortes dores de dente causadas por infecções.

À esquerda, uma fileira de dentes mostrando sinais claros de que a pessoa fez uso diligente de palitos. À direita, dentes da frente lixados. Imagem: Carolina Bertilsson

“Isso é muito emocionante de ver, e não muito diferente dos tratamentos odontológicos que realizamos hoje, quando perfuramos dentes infectados. Os vikings parecem ter conhecimento sobre dentes, mas não sabemos se eles próprios fizeram esses procedimentos ou tiveram ajuda.”, disse Carolina.

As descobertas também revelam que os vikings dedicavam uma atenção particular à saúde oral, conforme evidências de uso frequente de palitos de dente e de dentes frontais limados, estes últimos potencialmente como marcas de identidade entre os homens.

A cultura viking de Varnhem parece ter considerado a odontologia e o cuidado dental partes integrantes de suas vidas, sugerindo uma complexidade surpreendente em seus métodos de tratamento.