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Em 1965 o autor americano Frank Herbert lançaria uma das mais importantes obras de ficção científica do século XX: Duna. A franquia de livros de Duna é descrita, em termos de construção de universo, como o equivalente para a literatura da ficção científica do que O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, foi para a literatura da fantasia. O diretor David Lynch trouxe história para as telas de cinema com sua adaptação do primeiro livro em 1984 e, mais recentemente, Denis Villeneuve apresentou a franquia para uma nova geração com Duna: Parte 1 e Duna: Parte 2, lançados respectivamente em 2021 e 2024.

Um dos elementos mais conhecidos de Duna é o planeta desértico de Arrakis onde boa parte dos livros da franquia se passam. O planeta, por sua vez, é conhecido pelo seu clima assolador e, claro, pelos vermes da areia gigantes e segundo o modelador climático britânico da Universidade de Bristol, Alexander Farnsworth, ele é plenamente plausível.

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Farnsworth, junto com alguns dos seus colegas, fez uma simulação computacional do clima de Arrakis explicando como seria possível a vida em Duna. A simulação pode ser consultada no site da Climate Archive.

As dificuldades de se viver no planeta de Duna

O primeiro passo de Farnsworth e seus colegas foi buscar informações dos livros na The Dune Encyclopedia, uma coleção de ensaios de Willis E. McNelly, que reúne pontos-chave do universo criado por Herbert. Lá foram capazes de confirmar que a atmosfera de Arrakis é similar a da Terra, que foi utilizada como referencial na simulação. As principais diferenças estão na presença de menos dióxido de carbono e mais ozônio nas camadas mais baixas.

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“Arrakis certamente teria uma atmosfera muito mais quente, mesmo tendo menos CO2 do que a Terra hoje”, diz Farnsworth, “Para os humanos, isso seria incrivelmente tóxico, eu acho, quase fatal se você vivesse sob tais condições”.

Representação feita por fãs dos vermes de areia gigantes de Duna. Imagem: Wikimedia Commons – CC BY 3.0

Por outro lado, a simulação também mostrou que caso Arrakis existisse o planeta não seria exatamente igual como Herbert o imaginou. As calotas polares, por exemplo, não deveriam existir no verão de Duna que chega a temperaturas de 70 °C. Além disso, as variações extremas entre as estações do ano impossibilitariam de qualquer pessoa sobreviver nessas regiões. Nos trópicos, os habitantes de uma Arrakis real teriam que enfrentar fortes e constantes furacões capazes de fazer dunas de até 250 metros de altura. 

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E os vermes de areia gigantes?

Para que as pessoas pudessem sobreviver nessas condições elas precisariam de muita tecnologia e suporte externo que trouxesse comida e água para o planeta. Então teoricamente é até possível para humanos bem equipados viverem em Arrakis, por outro  lado o mesmo não pode ser dito para os vermes de areia gigantes.

Um dos principais obstáculos é que esses seres teriam que desenvolver uma imensa tolerância térmica para conseguir aguentar as temperaturas extremas daquele ecossistema. A respiração também seria um fator problemático, uma vez que minhocas invertebradas geralmente absorvem oxigênio através das suas peles. Logo, quanto maior fosse o animal mais difícil seria para levar oxigênio até seus órgãos internos.

Além disso, para que os vermes conseguissem ir até a superfície eles teriam que desenvolver um esqueleto para impedir que os seus corpos fossem esmagados sob o próprio peso. E ainda que esses esqueletos fossem feitos de um material ultraleve, um ser de comprimentos que chegam a 150 metros teria enorme dificuldade para se mover. Eles precisariam de músculos extremamente fortes que gerariam muito calor que seus corpos gigantes não seriam capazes de dissipar.

A conclusão que Farnsworth chega é que o planeta de Arrakis é teoricamente plausível de existir. Contudo é bem improvável que ele conseguiria ser habitado, principalmente por vermes de areia gigantes.