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A fome  é um problema que a humanidade ainda tem que lidar na sua história e algo que vem se agravando nesses últimos tempos devido às mudanças climáticas. Por isso que cientistas se empenham em desenvolver alimentos de baixo custo e alto valor nutritivo que possam ser produzidos em massa. Mais recentemente um microrganismo encontrado nas fontes termais de Yellowstone, um parque nacional nos Estados Unidos, pode ajudar na luta contra a fome mundial.

O fundo foi encontrado por pesquisadores da NASA há mais de uma década, mas quem é responsável pela descoberta é uma startup de Chicago, Nature’s Fynd, que vem desenvolvendo um alimento rico em proteínas para ser comercializado mundialmente.

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A descoberta do microrganismo de Yellowstone

Tudo começou em 2009 quando o então pesquisador da NASA, Mark Kozubal, notou um estranho matagal de algas na superfície de fontes termais do Parque Nacional de Yellowstone. Na época, Kozubal era responsável por uma equipe de cientistas enviada ao parque para encontrar formas de vida na área das fontes. Pelos anos seguintes, ele passou a estudar aquele estranho microorganismo que encontrou que ficou conhecido como Fusarium str. Yellowstonensis, ou Fy.

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Quase uma década depois, em 2018, Kozubal se junta ao empresário e entusiasta de ciências, Thomas Jonas, que havia trabalhado para uma empresa de embalagens. Os dois então abrem a Nature’s Fynd em Chicago, uma empresa alimentícia cujo foco seria utilizar o Fy como seu carro-chefe. Esse segmento vem ganhando mais interesses nesses últimos anos como o desenvolvimento do arroz híbrido quem tem objetivos similares a Nature’s Fynd. 

A dupla começou num pequeno laboratório da Universidade de Chicago onde Kozubal estudou. Lá eles criaram uma técnica de fermentação em superfície líquido-ar que serviu para replicar o microrganismo do parque Yellowstone. Eles pegaram uma célula do fundo e colocaram-na em água com açúcar, o que fez o microrganismo crescer e se multiplicar em horas. Depois os dois usaram um biorreator com ambiente ácido para que o fungo crescesse mais sem ser afetado por outras bactérias. Em apenas três dias ele se transformou num matagal em que cada bandeja tinha a proteína equivalente a 25 frangos.

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Os produtos da Nature’s Fynd

Um dos produtos desenvolvidos pela startup de Chicago. Imagem: Nature’s Fynd/Divulgação

A Nature’s Fynd percebeu o valioso produto que tinha em mãos quando descobriu que o Fy poderia ser utilizado para criar diversas formas de alimentos: hambúrgueres sem carne, substitutos de laticínios e até proteína em pó. Sendo assim a empresa poderia diversificar seu catálogo oferecendo uma vasta linha de produtos alimentícios.

Contudo Jonas ainda vê um obstáculo pois a produção do Fy ainda não é barata. Havendo uma qualidade bem limitada disponível e não querendo utilizar enchimentos para corte de custos, a Nature’s Fynd tem operado com apenas uma única fábrica. Por outro lado, a dupla acredita que sua proteína tem potencial para ser criada em qualquer lugar do mundo. Em 2022 eles fizeram um experimento colaborativo com a Estação Espacial Internacional, levando um pequeno biorreator para o espaço, que se mostrou bem sucedido na cultivação da proteína em ambientes de micro gravidade. Atualmente a empresa segue expandindo suas linhas de produtos em alguns supermercados dos Estados Unidos. Esse ano lançaram um iogurte feito exclusivamente à base de fungos.

Mas não é apenas na indústria alimentícia que a Nature’s Fynd atua. Eles também estão usando seu conhecimento para criar ferramentas de rastreamento e monitoração de patógenos que afetam mamíferos aquáticos. Além disso, eles possuem um banco de dados que ajuda a monitorar as mudanças na diversidade genética de patógenos no meio ambiente que vem ajudando a proteger vários animais do Parque Nacional de Yellowstone.