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Há mais de um século, os cabos submarinos transportam uma quantidade absurda de dados. Embora eles sejam subestimados, são o alicerce da comunicação mundial. Tendo isso em vista, a tecnologia tem contribuído para o desenvolvimento dessa estrutura vital para a sociedade, corroborando com a sua importância, mesmo na era digital.

Conceito antigo

A origem dos cabos de comunicação submarinos remonta ao início do século XIX. Com a invenção do telégrafo funcional em 1839, a ideia de instalar uma linha telegráfica debaixo d’água começou a ganhar força.

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Em 1842, Samuel Morse, o inventor do código Morse, realizou um experimento significativo ao submergir um fio isolado com cânhamo alcatroado e borracha indiana no porto de Nova York, conseguindo telegrafar com êxito através dele.

Foi uma verdadeira revolução. A era das cartas e das longas esperas acabou, substituída por uma comunicação instantânea. Contudo, desenvolver a tecnologia necessária para criar esses cabos, capazes de suportar as profundezas oceânicas e resistir aos desafios impostos pela natureza, não foi uma tarefa simples.

O segredo do sucesso residia em encontrar um isolante eficiente que impedisse a corrente elétrica de se dispersar na água. A solução surgiu com a introdução da guta-percha, um látex natural proveniente da árvore Palaquium gutta.

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Reconhecendo seu imenso potencial, cientistas renomados como Michael Faraday e Charles Wheatstone logo perceberam que a guta-percha poderia servir como um excelente isolante para cabos subaquáticos.

Esta descoberta crucial marcou o início da era dos cabos de comunicação submarinos, possibilitando a comunicação instantânea entre continentes e transformando para sempre a forma como o mundo se conectava.

Os primeiros cabos subaquáticos para o comércio

As primeiras iniciativas comerciais para instalar cabos submarinos começaram na metade do século XIX. Em agosto de 1850, John Watkins Brett e sua English Channel Submarine Telegraph Company tentaram pela primeira vez lançar um cabo através do Canal da Mancha, mas não foi bem sucedido por conta do material.

Em 1851, a Submarine Telegraph Company obteve sucesso ao instalar um cabo protegido entre Dover e Calais, marcando o início de uma série de empreendimentos bem-sucedidos. Em 1853, cabos submarinos já conectavam a Grã-Bretanha com a Irlanda, Bélgica e Países Baixos, criando redes de telecomunicação vitais.

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No entanto, essas distâncias eram relativamente pequenas quando comparadas ao tamanho do planeta. O verdadeiro desafio surgiu com a necessidade de estabelecer os primeiros cabos transatlânticos, ligando a Europa à América do Norte. Esta tarefa colossal exigiu inovações significativas em tecnologia e engenharia para superar a vasta extensão do Atlântico e enfrentar as condições adversas encontradas no fundo do oceano.

Cabos submarinos modernos: a chegada da fibra ótica

Mapa mundial mostrando cabos submarinos em 2015

Os primeiros cabos submarinos utilizavam fios de cobre em seus núcleos para transmitir dados, mas a tecnologia evoluiu significativamente ao longo do tempo. Hoje, os cabos modernos utilizam fibra óptica para transportar dados digitais, incluindo telefonia, internet e tráfego de dados privados.

Em 1988, foi instalado o TAT-8, o primeiro cabo transatlântico de fibra óptica, capaz de fornecer 40.000 canais telefônicos. A fibra óptica trouxe um aumento notável na largura de banda e reduziu consideravelmente as perdas de transmissão em comparação com os cabos coaxiais. Esse avanço tecnológico foi fundamental para o crescimento explosivo da internet global e da comunicação de dados.

Projetados para resistir às condições adversas das profundezas oceânicas, esses cabos têm uma vida útil superior a 25 anos e são capazes de transportar vastas quantidades de dados digitais, incluindo tráfego de internet, chamadas telefônicas e transmissões de dados privadas.

É impressionante notar a importância contínua desses cabos submarinos e o quão avançado esse sistema já estava há mais de 100 anos. Ao longo de sua história, os cabos submarinos enfrentaram diversos desafios, desde ataques de vida marinha, como vermes e tubarões, até condições ambientais severas, como tempestades e movimentos das marés. É evidente que diversas melhorias nos materiais e no design dos cabos mitigaram muitos desses problemas, tornando os cabos modernos muito mais duráveis.