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Na comunidade científica, Encélado é frequentemente destacado como um farol de esperança para encontrar vida extraterrestre. Agora em um novo estudo, pesquisadores revelaram que compostos-chave que poderiam sustentar micróbios alienígenas ou ajudar a vida a surgir foram detectados na enorme pluma de água que brota do planeta.

A lua gelada de Saturno cativa os pesquisadores com seu oceano subterrâneo, que se acredita ser o combustível das plumas espetaculares que saem de seu polo sul. Esses gêiseres não apenas pintam um quadro impressionante contra o vazio do espaço, mas também fornecem uma amostragem tentadora da química subgelo da lua.

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Na reunião anual da American Geophysical Union, Jonah Peter, da Universidade de Harvard, apresentou novas descobertas que intensificaram as discussões sobre a habitabilidade de Encélado. A análise de sua equipe de amostras coletadas pela nave espacial Cassini identificou cianeto de hidrogênio na pluma. Embora tóxico para os seres humanos, o cianeto de hidrogênio é um componente fundamental para a criação de moléculas orgânicas mais complexas, como aminoácidos e ácidos nucleicos, que são os blocos de construção básicos da vida como a conhecemos.

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Encélado, com seu coquetel de elementos necessários, incluindo o fósforo, representa agora um dos locais mais promissores para a vida além da Terra. “Enceladus pode ser visto como um sistema prebiótico favorável”, comentou Christopher Glein, um geoquímico que vê esses resultados como um trampolim para a compreensão do potencial da lua para nutrir a vida.

Além do cianeto de hidrogênio, uma infinidade de substâncias orgânicas como acetileno, etano e vários álcoois foram identificadas, segundo o estudo que foi publicado na Nature Astronomy. Esses compostos, que sustentam certos micróbios na Terra, apontam para possíveis fontes de energia metabólica para formas de vida que podem residir em Enceladus.

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O robô EELS (visto aqui) opera na neve no Big Bear Mountain Resort, no sul da Califórnia, durante um teste de campo em fevereiro de 2023. Imagem:JPL-CALTECH/NASA

A atração por Enceladus é reforçada pelo desenvolvimento do Exobiology Extant Life Surveyor (EELS) da NASA, que poderá eventualmente deslizar sob a crosta gelada em busca de vida. O projeto do EELS, uma serpente robótica, permite que ele navegue pela topografia traiçoeira de terrenos congelados. As demonstrações de suas capacidades foram realizadas no sul da Califórnia e, mais recentemente, durante um teste de campo em Alberta, no Canadá.

Na geleira Athabasca, os projetistas do EELS colocaram o robô em ação, testando sua capacidade de ancorar e manobrar em poços de gelo conhecidos como moulins. Masahiro Ono, que liderou esses testes, relatou o sucesso do robô em se manter estável e descer dentro da geleira, uma capacidade essencial para futuras missões em Enceladus ou, possivelmente, na Lua.

A implicação desses avanços tecnológicos vai além de Enceladus, pois a pilotagem e a aplicação do EELS também podem ajudar nas explorações lunares. Ono vê essa inovação como uma “virada de jogo” – não limitada a uma lua, mas potencialmente útil em todos os enclaves gelados do sistema solar.