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Uma equipe de pesquisadores do TMOS (Centro de Excelência ARC para Sistemas Meta-Ópticos Transformadores, na tradução da sigla em inglês), conseguiram um avanço importante na tecnologia de vigilância, já que essas novas lentes de visão noturna podem ser usadas nos óculos comuns.

A tecnologia trata-se, em resumo, de um filtro infravermelho que pode ser colocado em um óculos do dia a dia. O filtro é, segundo os pesquisadores, extremamente fino, o que permitiria a fácil utilização ao ser acoplado com um filme em lentes comuns. O filtro pesa menos de um grama.

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Além da praticidade de utilização, a tecnologia se destaca por permitir uma utilização por longos períodos de tempo, em diversos contextos diferentes, já que além de permitir uma visão no espectro de luz infravermelha (o espectro que “enxerga o calor”), ele permite a visualização normal do espectro de luz visível, dispensando pesados e grandes equipamentos.

“As pessoas disseram que a conversão ascendente de alta eficiência do infravermelho para o visível é impossível por causa da quantidade de informações não coletadas devido à perda angular que é inerente às metasuperfícies não locais. Superamos essas limitações e demonstramos experimentalmente a conversão de imagem de alta eficiência”, diz em um comunicado a autora principal da pesquisa, Laura Valencia Molina.

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Essas novas lentes de visão noturna podem ser usadas nos óculos comuns. Imagem: Laura Valencia Molina, Australian National University.

O estudo foi publicado em maio pelos pesquisadores em um artigo no periódico Advanced Materials.

Novas lentes de visão noturna podem ser usadas nos óculos comuns – como funcionam?

Essas lentes de visão noturna podem ser usadas nos óculos comuns por sua praticidade. A invenção é composta por um filme de uma “metasuperfície ressonante de niobato de lítio ultracompacta e de alta qualidade” que consegue realizar a “conversão ascendente não linear para o visível”, segundo o estudo.

Esse “cientifiquês” diz que se trata de um material que interage com a luz de maneira a permitir uma visão noturna por meio da conversão da luz infravermelha em luz visível.

O niobato de lítio, material utilizado na fabricação do filme, é transparente para a luz visível e, portanto, pode ser usado normalmente sem desconfortos, já que não há ruídos nas imagens, como ocorre nas imagens de visão noturnos utilizadas comumente.

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“Esta é a primeira demonstração de imagens de conversão ascendente de alta resolução de 1550 nm infravermelho para luz visível de 550 nm em uma metasuperfície não local. Escolhemos esses comprimentos de onda porque 1550 nm, uma luz infravermelha, é comumente usada para telecomunicações, e 550 nm é a luz visível à qual os olhos humanos são altamente sensíveis. Pesquisas futuras incluirão a expansão da gama de comprimentos de onda aos quais o dispositivo é sensível, visando obter imagens IR de banda larga, bem como explorar o processamento de imagens, incluindo detecção de borda”, disse Rocio Camacho Morales, um dos autores do estudo.

O óculos permitirá uma série de avanços em tecnologias de vigilância e outras tecnologias que se beneficiam da visão noturna, como é o caso de câmeras de monitoramento de animais selvagens, por exemplo. São diversas as aplicações possíveis, que vão desde áreas de segurança, até navegação aérea marítima e etc.

“Esses resultados prometem oportunidades significativas para as indústrias de vigilância, navegação autônoma e imagens biológicas, entre outras. Diminuir os requisitos de tamanho, peso e potência da tecnologia de visão noturna é um exemplo de como a meta-óptica, e o trabalho que a TMOS está fazendo, é crucial para a Indústria 4.0 e a futura miniaturização extrema da tecnologia”, disse no comunicado o investigador-chefe da pesquisa, Dragomir Neshev.

Agora, os pesquisadores vão continuar a pesquisa e refinar ainda mais a tecnologia de lentes de visão noturna podem ser usadas nos óculos comuns, ainda experimental. Entretanto, as aplicações são simples e ocorrerão rapidamente, segundo os pesquisadores.