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As formigas Matabele científicamente nomeadas como Megaponera analis, são nativas da África subsaariana. Estas formigas exibem uma forma notável de cuidados médicos em suas colônias: elas podem diagnosticar e tratar as feridas infectadas de seus camaradas.

Um novo estudo publicado na revista Nature Communications destaca a capacidade das formigas não apenas de reconhecer ferimentos em seus pares, mas também de administrar tratamentos eficazes. Esses insetos, cuja dieta é exclusivamente de cupins, enfrentam um risco constante à vida e à integridade física quando invadem colônias de cupins, com uma porcentagem significativa retornando de excursões de forrageamento com ferimentos graves.

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Estudos anteriores revelaram que as formigas Matabele ilesas muitas vezes carregam suas companheiras feridas de volta aos seus ninhos, onde lambem as feridas de suas companheiras de ninho por vários minutos. Mas os mas os pesquisadores não sabiam exatamente porque é que as formigas faziam isto. Supunha-se que este comportamento ajudava a remover a sujidade do local, por exemplo. Mas acontece que processo de cura entre as formigas Matabele vai além da simples limpeza de ferimentos.

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O novo estudo mostrou que as formigas feridas são detectadas por seus pares por meio de uma mudança no perfil de hidrocarbonetos em seu exoesqueleto e logo recebem atenção especializada. As formigas produzem uma substância contendo compostos antimicrobianos e cicatrizantes de suas glândulas metapleurais. Em seguida, elas aplicam essa substância nas feridas de suas contrapartes machucadas.

Destacadas em azul e amarelo, as glândulas metapleurais das formigas Matabele que produzem substâncias antimicrobianas e cicatrizantes. Imagem: Frank et al.

A equipe de pesquisa descobriu que essa substância continha mais de 50 componentes diferentes com propriedades antimicrobianas ou cicatrizantes. Notavelmente, esse antisséptico de fabricação própria reduziu drasticamente as taxas de mortalidade de 90% para 22% entre as formigas tratadas, em comparação com indivíduos isolados.

“Com exceção dos seres humanos, não conheço nenhuma outra criatura viva que possa realizar tratamentos médicos tão sofisticados”, disse o coautor do estudo Erik Frank, ecologista animal da Universidade de Würzburg, na Alemanha, em um comunicado.

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As descobertas sugerem que as formigas podem distinguir entre ferimentos gerais e infecções. Esse é essencial para manter a força de trabalho da colônia.

Aplicações na medicina

As implicações dessa pesquisa podem até se estender a tratamentos médicos humanos. O composto que as formigas Matabele produzem para tratar seus companheiros é eficaz contra Pseudomonas aeruginosa – um patógeno que também infecta feridas humanas e é notório por sua resistência a muitos antibióticos.

A profundidade do estudo mostra um quadro promissor em que as secreções das formigas poderiam inspirar novos tratamentos com antibióticos para humanos que lutam contra cepas resistentes de bactérias.