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A duração do dia pode ser impactada pelas mudanças climáticas, conforme novas evidências. São diversos os impactos que a atuação do homem está causando no planeta – desde problemas relacionados à disponibilidade de água doce, mudanças na temperatura média do planeta, nível médio dos oceanos. Esses fatores, por sua vez, podem trazer sérias implicações relacionadas à fome, guerras e doenças. Entretanto, as mudanças podem estar além do que nós podemos imaginar, e até mesmo no tempo a humanidade pode estar mexendo sem ao menos perceber, o que pode trazer algumas implicações bastante sérias.

O Tempo Universal Coordenado (UTC, na sigla em inglês) foi definido no final da década de 1960. Hoje, o tempo é definido por meio de 450 relógios atômicos que possuem um precisão extremamente alta. Entretanto, por uma flutuação na rotação da Terra, se medirmos o tempo pela rotação da Terra, há uma diferença com os relógios. Assim, é necessário adicionar 27 segundos à medição de tempo dos relógios atômicos para sincronizar tudo.

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Um novo estudo liderado pelo geólogo Duncan Agnew, da Universidade da Califórnia, indica que o derretimento das geleiras nos dois extremos continentais do planeta – Groenlândia, ao norte, e Antártida, ao sul -, pode estar alongando o dia terrestre por uma alteração na velocidade angular da Terra.

Para nós, humanos, o tempo parece cada vez passar mais rápido. Mas isso é por um motivo psicológico – uma mistura do excesso de informação com as novas experiências que adquirimos. Entretanto, o tempo pode estar passando mais devagar, o que é imperceptível para os humanos, porém.

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Embora para nós, individualmente, não seja um grande problema, coletivamente pode ser. Computadores, satélites, GPS. Há muita coisa que necessita de uma cronometragem muito precisa, e toda essa tecnologia se tornou essencial para a humanidade.

O estudo mostrando como a duração do dia pode ser impactada pelas mudanças climáticas foi publicado pelos pesquisadores em um artigo no periódico Nature.

Uma alteração no momento angular das camadas externas da Terra está ocorrendo e por isso a duração do dia pode ser impactada pelas mudanças climáticas. Imagem: NASA

“Um segundo bissexto negativo nunca foi adicionado ou testado, pelo que os problemas que poderia criar não têm precedentes. Os metrologistas de todo o mundo estão a acompanhar atentamente o desenrolar do debate, com o objetivo de evitar riscos desnecessários. O que seria necessário, como na boa prática metrológica, é calcular a incerteza associada às previsões da rotação da Terra. Esta informação permitiria aos investigadores avaliar a probabilidade de ser necessário um segundo bissexto negativo – e avaliar os riscos associados – de modo a poderem antecipar qualquer alteração antes de 2035”, disse em um periódico de notícias da Nature, a Dra. Patrizia Tavella.

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O núcleo da Terra está tendo mudanças em seu momento angular. Para que a rotação da Terra permanecesse igual, precisaria haver uma “força” de mesmo módulo e sentido contrário ocorrendo no manto e na crosta terrestre. Entretanto, está havendo uma perda no momento angular das camadas superficiais da Terra também. Dessa forma, ocorre um atraso no tempo.

A diminuição do momento angular do núcleo terrestre permanece consistente. Entretanto, na superfície, ocorre uma diminuição considerável, já que tanto gelo está derretendo que está ocorrendo uma mudança na distribuição de massa pelo planeta. Por isso a alteração na rotação da Terra.

Quando o gelo derrete, essa água é incorporada principalmente aos oceanos, que a distribuem pelo planeta. Assim, a água que estava há poucas décadas nas latitudes altas do planeta está indo para latitudes mais baixas, ou seja, para áreas mais próximas à linha do equador.

Pelos cálculos, até 2029 não são exigidas grandes ações. Entretanto, esse ano está muito próximo. Assim, os pesquisadores e os comitês internacionais relacionados ao tempo já precisam se planejar em como agir até lá, já que a tecnologia é altamente dependente da correta medição do tempo na Terra.