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Para além das crenças primordialmente religiosas e culturais, os Doomsday Preppers — termo em inglês para Preparadores para o Fim do Mundo — são pessoas que, literalmente, se preparam para o fim do mundo. Essa preparação, completamente ativa, envolve a construção de bunkers nas profundezas do subsolo bem à moda alemã ou soviética, por exemplo, ou na natureza – quase nas colinas. Inclusive, alguns bilionários, como Mark Zuckerberg, têm suas próprias fortalezas.

Além disso, há aqueles que se preparam para desastres ambientais, outros para pandemias, crises econômicas ou qualquer outro cenário apocalíptico. O fato é que o traço em comum entre todos os Preparadores para o Fim do Mundo é que eles querem sobreviver ao Apocalipse.

Mais a fundo na filosofia dos Preparadores para o Fim do Mundo

Os Preparadores para o Fim do Mundo adotam diferentes formas de organização, dependendo do tipo de evento apocalíptico para o qual estão se preparando. Desse modo, alguns se preparam para tumultos civis e colapso do sistema monetário acumulando alimentos, água, álcool, munições e metais preciosos como ouro e prata.

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Alguns constroem bunkers subterrâneos para se protegerem dos perigos acima do solo. Outros optam por se afastar de áreas urbanas, mudam-se para regiões rurais e buscam se tornar autossuficientes, vivendo de maneira independente, fora da rede, e cultivando o máximo possível de seus próprios alimentos.

Imagem: Canva

Fator econômico é expressivo

Dependendo de quão ricos são, os planos de emergência dos Preparadores para o Fim do Mundo podem ser muito sofisticados. Por exemplo, no livro “Bunker: Construindo para o Fim dos Tempos” (sem tradução para o português), o geógrafo Bradly Garret visita um silo de mísseis da Guerra Fria, agora chamado Survival Condo, no Kansas.

Nesse local, pessoas abastadas podem adquirir apartamentos subterrâneos luxuosos em uma comunidade exclusiva. Essa instalação de luxo oferece piscinas, supermercado, arsenal para defesa, paredes de escalada, salas de jogos, parque para animais de estimação, cinema, campo de tiro, biblioteca e sauna.

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Com um preço de varejo entre 2 e 5 milhões de dólares cada, o conforto pós-apocalipse não é acessível para todos.

Em contrapartida, quem tem recursos mais limitados precisa se contentar com bunkers mais compactos. Por exemplo, a empresa Vivos x Point vende bunkers de ex-militares em Dakota do Sul por 35.000 dólares, proporcionando uma estrutura de concreto básica.

Para aqueles que não podem se deslocar rapidamente até Dakota do Sul, também existem bunkers de quintal disponíveis em empresas como a Atlas Survival Shelters, que construirá e enterrará um bunker em sua própria propriedade.

Custos de oportunidades

Os Preparadores para o Fim do Mundo enxergam esse movimento como um seguro para o futuro, mas isso pode ter custos elevados e custos de oportunidade significativos; ou seja, gastar dinheiro em preparativos pode limitar as oportunidades de desfrutar do presente.

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Um abrigo radioativo idealizado dos anos 50. Imagem: Bibliotecas Públicas Digitais da América

A ideia de sacrificar o bem-estar atual para garantir a sobrevivência futura levanta questionamentos filosóficos, pois as catástrofes não são garantidas. Essa preocupação é menos relevante para aqueles que adotam um estilo de vida rural e autossuficiente, pois suas atividades diárias têm valor por si mesmas.

Contudo, acumular suprimentos e bunkers pode ser visto como uma aposta que só se torna valiosa se o pior acontecer.

Consequências políticas

Andrew Szasz, autor do livro “Shopping Our Way to Safety”, argumenta que os Preparadores para o Fim do Mundo, ao focarem em maximizar suas chances individuais de sobrevivência, dificultam a busca por soluções coletivas para problemas comuns.

O tempo e o dinheiro investidos em acumular suprimentos e construir bunkers podem ser recursos que faltam para promover políticas igualitárias ou participar em movimentos ambientalistas, o que poderia contribuir para evitar desastres como agitação civil ou mudanças climáticas.

Vale a pena sobreviver ao Apocalipse?

Embora os Preparadores para o Fim do Mundo compartilhem o objetivo de sobreviver a eventos apocalípticos, a ênfase exagerada na sobrevivência é questionada. Viver em bunkers subterrâneos, exceto para os super-ricos, pode ser desagradável, levantando dúvidas sobre a qualidade de vida pós-apocalipse.

Uma conclusão possível sugere que sobreviver ao apocalipse pode perder sentido se resultar em uma vida de baixa qualidade, não valendo a pena se encontrar numa vida que não vale a pena ser vivida.

Graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e apaixonado por tecnologia, atualmente trabalho com projetos web e tenho orgulho de ser o idealizador do site Solte a Palavra.