No começo, muita gente era contra. “Juventude mimada”, “falta do que fazer”, etc. Críticas não faltaram a esse movimento que surgiu em Junho de 2013.

Depois, quando a coisa cresceu a ponto de não ser mais possível ser contra qualquer coisa, vieram as retificações. “Não era bem assim”, “Eu errei”, “Não são só vinte centavos”. O Brasil se uniu na mesma causa, e ninguém podia (ou queria) falar mal.

Mas uma coisa continuou sendo criticada. Uma coisa continuou polêmica. A depredação do patrimônio público como parte dos protestos. Aqueles que quebravam postes ou pichavam muros eram chamados de “vândalos”, “bandidos”, entre outros.

Os defensores, por sua vez, argumentavam (e argumentam) que não se faz protesto sem depredação do patrimônio. Historicamente falando, os protestos, as revoltas e as revoluções sempre vieram acompanhadas, em maior ou menor nível, de um certo vandalismo, e isso também é expressão, e deve ser respeitado como tal.

Bons argumentos de ambos os lados. Alguns apontando para o fato de que, para fazer valer o seu direito a livre expressão, você deve respeitar o seu dever de não destruir o patrimônio público. Outro argumentando que, fora do Brasil, sempre que um protesto ou revolta acontece com depredação e vandalismo, o brasileiro acha lindo, mas aqui dentro não pode.

A mudança pode vir sem algum tipo de “choque”, de desrespeito a lei, mesmo que simbólico? A depredação do patrimônio público pode ser considerada uma alternativa “pacífica” para o manifestante que quer chamar a atenção, mas sem agredir fisicamente ninguém?

Ou lei é lei, e, vivendo em um país democrático que permite a livre expressão e o direito a manifestação pública, não precisamos (nem podemos) desrespeitar a lei para nos expressarmos?

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